Isolamento Social – Um Mal Silencioso e Sorrateiro

Chegamos ao final do ano, época que ficamos mais reflexivos, sensíveis e nostálgicos. Para quem está longe de familiares e amigos queridos é uma época ainda mais difícil, portanto é preciso se cuidar.

Você já ouviu falar sobre Hikikomori? Trata-se de um termo japonês usado para situação de isolamento social extremo, em que se encontram milhares de pessoas no mundo. Estima-se hoje, que no Japão, há aproximadamente mais de 613.000 pessoas entre 40 a 60 anos de idade e mais de 540.000 pessoas entre 15 e 39 anos de idade, que estão confinados em seus quartos, isso sem contar os casos ainda desconhecidos. Sem dúvida, um grande problema de saúde pública que vem crescendo a cada ano, não apenas no Japão, mas no mundo. São pessoas que estão afastadas da sociedade, por longo período, a partir de seis meses até 20, 30 anos ou mais.

Por vezes, até conseguem sair para resolver problemas extremamente necessários e ir até um kombini próximo por exemplo, porém na maior parte de seu dia e noite não saem de casa, e não interagem com a família, permanecendo isolados em seus quartos, dormindo, ou em games ou em celulares. Sim, o fato de estarem jogando ou vendo conteúdos na internet não significa que estão interagindo socialmente.
As causas são multifatoriais, mas é importante dizer que o isolamento social está presente na descrição de muitas doenças e transtornos mentais como depressão, ansiedade, esquizofrenia e outros.

As grandes mudanças na vida, como por exemplo, mudanças de endereço, escola, trabalho, separações e bullying podem desencadear transtornos mentais graves. Mesmo que a pessoa não esteja acometida por algum transtorno antes de isolar-se, após este confinamento é muito provável que o quadro se torne patológico.

Tenho me preocupado muito com o aumento do adoecimento mental dos brasileiros no Japão. É triste saber que muitos se encontram nesta condição de extremo isolamento.

São pessoas que adoeceram, perderam seus lugares na sociedade e vivem de ajuda governamental, por não terem mais condições para o trabalho e também não se identificam ou não possuírem mais vínculos com o Brasil. Pessoas que não tiveram suporte, não reconheceram que estavam adoecendo e/ou nem tiveram forças para buscarem ajuda.

Sabe como podemos evitar tudo isso? PREVENÇÃO! Oras, vocês não cresceram ouvindo:

“Melhor prevenir do que remediar”? É preciso mantermos a nossa atenção para sinais importantes que previnam adoecimento mental.
Fatores de atenção:
• Após perdas, separações, mudanças de endereço, escola, trabalho;
• Alterações de humor, sentimentos, e comportamentos diferentes dos habituais;
• Desconforto ou mal-estar mediante situações sociais;
• Necessidade intensa e dificuldade para controlar uso de: tabaco, álcool, drogas
(incluindo medicações), games e celulares;
• Dificuldade de ir ao trabalho, escola, encontros sociais;
• Falta de interesse em interagir com as pessoas;
• Perda de interesse por coisas que antes lhe faziam muito bem;
• Baixa qualidade de sono ou insônia;
• Aumento ou redução do apetite, com ganhos e perdas de peso;
• Descuido com autocuidado e higiene.

Devo ressaltar que uma das melhores ferramentas para evitar o isolamento entre familiares é a COMUNICAÇÃO. Muitas vezes, a rotina acaba reduzindo drasticamente a comunicação no lar. Os adolescentes muitas vezes, preferem estar só em seu quarto, são monossilábicos,preferem seus games e Youtubers. Os pais precisam compreender esse momento de busca pela autonomia e individualidade, mas não devem desistir de proporcionar momentos prazerosos em família e o diálogo. Os casais também chegam esgotados do trabalho, por vezes em turnos diferentes “mergulham” nos seus celulares e computadores, e acabam se distanciando pouco a pouco. Ao chegar em casa, vamos conversar mais.

As pessoas mais importantes a cuidar e que cuidarão de você quando precisar, são as que moram com você! Reconhecer que precisa de ajuda pode evitar maiores problemas e sofrimentos. Quantas vezes eu ouço: “Tenho vontade de sair correndo… sumir..morrer”. Claro, quando estamos adoecidos não vemos solução para nada e nos desesperamos, mas com a ajuda de um profissional psicólogo, suas aflições vão sendo acolhidas e aos poucos irá perceber que há sempre outras possibilidades e formas mais saudáveis de enfrentar suas dificuldades e problemas.

Caso queiram tirar dúvidas ou pedir que abordemos mais assuntos, deixe aqui seu comentário, teremos prazer em respondê-los. Obrigada e até logo!

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