As redes sociais e a influência na nossa mente

Você já observou quantas horas por dia passa nas redes sociais?

Já prestou atenção em como se sentia antes e como ficou depois de acessar por alguns momentos uma rede social? E no que ela te acrescentou?

Percebe se deixa de fazer algumas coisas fora de casa ou com amigos/família para ficar nas redes sociais?

Se está alguns instantes ocioso, automaticamente busca o celular para dar uma “conferida”?

Muitas vezes, não temos o hábito de observar nossa interação com as redes sociais, porque temos a tendência de agir automaticamente quando o assunto é internet.

Facebook, Twitter e Instagram são ferramentas interessantes para compartilhar informações, comunicar-se com quem não está perto, ainda mais em tempos de pandemia e home office, mas, por outro lado, é um lugar onde nos deparamos com vidas perfeitas, corpos e rostos quase impossíveis de existirem de forma natural, enfim, um cenário que pode ser bastante perturbador para qualquer um.

Uma pesquisa realizada por duas universidades alemãs concluiu que 1 em cada 3 usuários de Facebook se sente menos satisfeito com a sua vida depois de visitar a rede.

Isso acontece porque nossa autoestima e visão de mundo são afetadas severamente por fatores externos, ainda mais quando estamos fragilizados por alguma situação que já nos deixa emocionalmente sensíveis. Por isso, em terapia, uma das premissas para o cuidado de indivíduos emocionalmente sensibilizados e deprimidos é a autoproteção emocional, em que identificamos e nos protegemos daquilo que fragiliza ainda mais nosso emocional nesse momento.

Quando falamos em redes sociais e a exposição contínua às mesmas, pensamos no efeito que provocam em nosso cérebro que é de uma resposta de recompensa similar às drogas ou outros estimulantes.

Isso faz com que entremos num mecanismo de dependência virtual tal qual um vício. Se acrescentamos a isso o fato de que nesse mundo virtual tudo pode ser lindo e perfeito por alguns instantes, me proporcionando a fuga da minha realidade que não é assim tão atraente, está instalada uma rede neural bastante complicada de escapar, pois nos mantém escravos desse comportamento.

Há uma relação muito clara estabelecida entre autoestima e redes sociais. Quando temos uma visão negativa de nós mesmos, geralmente damos importância aos fatos que confirmam a nossa crença, e os likes e visualizações podem tomar uma proporção muito grande. Nesse momento, podemos nos tornar muito susceptíveis a qualquer sinal que indique que não agradamos, ou que temos poucos admiradores e, sendo assim, não somos queridos.

Como parte dessa autoestima é formada pelas crenças que temos sobre nós mesmos, quando nos vemos “não queridos”, sentimentos como inadequação, fracasso, insegurança e raiva aparecem e podem agravar quadros de depressão ou ansiedade, ou mesmo instalar um transtorno em alguém que está fragilizado. Isso é muito grave em um mundo em que a ostentação nas redes sociais é cada vez mais tida como um valor. Podemos observar esse comportamento ostentoso nas fotos de comidas e lugares, por exemplo.

Já não vivenciamos a experiência por ela mesma, com nossos 5 sentidos, mas queremos registrar e postar, porque somente assim sentimos que valeu a pena vivê-la. Todos os hábitos que começamos a ter e a forma como passamos a ver o mundo, mudam pouco a pouco, a conformação e a dinâmica do nosso cérebro, sendo assim a maneira com que ele reage.

Por fim, as redes sociais podem ser nossas aliadas ou as vilãs da nossa história, e isso vai depender somente da medida e como as utilizamos, cabendo a nós respondermos às perguntas do início do texto e ficarmos atentos ao uso indiscriminado e sem responsabilidade das redes sociais, principalmente entre crianças e adolescentes por não possuírem tão desenvolvida a capacidade de autocrítica.

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