Em todas as palestras que realizei no Japão, uma das perguntas mais frequentes dos pais é sobre qual a melhor escola para os filhos: Escola Japonesa ou Brasileira?
A resposta para essa pergunta vai sempre se basear no perfil de cada família, nos objetivos, costumes e prioridades. Aponto abaixo algumas perguntas que quando respondidas irão auxiliar na melhor escolha.
– Qual a idade dos meus filhos ao chegarem no Japão? (quanto mais novos mais fácil a adaptação)
– Quanto tempo irei permanecer neste país? (Caso não tenha esta resposta procure fazer uma programação a cada dois anos, ou caso não tenha previsão de retorno breve ao país de origem, leve em consideração o aspecto da adaptação ao Japão)
– Que tipo de atividade realizo com minha família para facilitar nossa adaptação à vida no Japão? E para cultivar a cultura brasileira?
– Como é a nossa comunicação em família, com o passar dos anos qual a língua que vai favorecer uma boa comunicação com meus filhos?
Na verdade percebo dois aspectos muito importantes que devem ser levados em consideração. Primeiro, a aquisição de uma segunda língua, no caso o nihongo, irá favorecer a adaptação à vida no Japão. Segundo, à manutenção da língua materna contribui para a formação da identidade nacional, fortalece os laços familiares, pois a facilidade na comunicação possibilita maior aproximação entre os membros da família.
Isto reforça a importância do uso das duas línguas, pois independente da escola onde estuda, deve-se incentivar e possibilitar aos filhos que aprendam a língua local e do seu país de origem. Algumas famílias vivem 10, 15 ou 20 anos no Japão, prorrogando decisões sobre o futuro familiar, certamente isto irá interferir nas escolhas de seus filhos, em especial no momento da escolha profissional.
Pude conhecer e acompanhar alguns alunos brasileiros de escolas japonesas e da escolas brasileiras que dominam muito bem a língua portuguesa e a língua japonesa, independente de onde estudam, no momento da escolha profissional poderão escolher o que estudar e onde estudar, mais adaptados aos costumes de cada país.
O convívio escolar interfere diretamente na formação da personalidade, hábitos, costumes, jeito de pensar e agir. Porém não são decisivos, pois à educação familiar deverá conduzir os valores, crenças, em especial no que diz respeito à sua origem.
Sei que este assunto tem vários outros aspectos a serem explorados, poderemos avançar em alguns deles em outras publicações. Fiquem à vontade para encaminhar comentários e dúvidas.
Texto publicado na Revista Guia JP, em fevereiro de 2015.

