Mudanças no Cérebro Adolescente – Entenda esse momento delicado

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a fase de adolescência corresponde dos 12 aos 18 anos. Nessa fase, quem tem um filho adolescente ou convive com adolescentes, percebe que há uma grande mudança de comportamento e visão de vida, parecendo que a criança de sempre se transformou em outra completamente diferente.

Soma-se a isso a ideia de que as mudanças em geral são definidas pelos pais e professores como “para pior”, ou seja, de uma hora para outra o filho se transforma e, na maioria das vezes, essa “transformação” é negativa.

Muito dessas alterações de comportamento se devem às mudanças hormonais, é claro. Mas o que nem todos têm em conta é que outro órgão humano tem uma grande participação nisso tudo: o cérebro!

Para entendermos melhor, temos que pensar como o cérebro se desenvolve. Quando nascemos, temos milhares de ligações neuronais (comunicações entre os neurônios), que são chamadas de sinapses. Aproximadamente aos três anos de idade, ocorre o que chamamos de “Poda Neuronal”, onde de acordo com o que é utilizado ou não pela criança, ligações desnecessárias são “desligadas”, como a poda dos galhos de uma árvore. Essa ‘Poda” é necessária para que se fortaleçam as ligações que são mais utilizadas.

Na adolescência, ocorre novamente esse processo. As sinapses se modificam, algumas irão deixar de existir, outras se reforçam, outras novas são criadas.

O cérebro não cresce, mas a substância branca responsável pela transmissão de informações aumenta, e por isso também é necessário a “limpeza dessas sinapses”.

Partes do cérebro terminam de amadurecer, causando também alteração de comportamento e sentimentos. Um exemplo é a parte frontal do nosso cérebro, chamado Cortex Pré-Frontal, que é a última em terminar de desenvolver-se, e é responsável pela tomada de decisões e controle de impulsos, explicando porque muitas vezes o adolescente parece não prever as consequências de seus atos agindo “sem pensar.

Também o descompasso entre crescimento do corpo e imagem corporal exige adaptação cerebral extra, e o sistema de recompensa e motivação perde a eficácia que tinha quando eram crianças, fazendo que o que antes era prazeroso não tenha mais efeito agora.

Essas alterações, unidas à mudança hormonal e psicológica, fazem essa fase por vezes muito difícil para pais e os próprios adolescentes, que às vezes não se entendem nessa nova realidade.

A boa notícia é que é um fenômeno fisiológico e, sendo assim, a natureza garante que, ao menos na parte neural (cérebro), as adaptações sejam feitas e, depois de um tempo tudo esteja justado garantindo uma idade adulta mais equilibrada.

Aos pais, resta ter muita paciência e procurar entender, porque é uma fase passageira e muito necessária do desenvolvimento humano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *